Comportamentos autolesivos na população LGBTQIA+: stress minoritário e fatores psicológicos
Fumega, Daniela Ferreira Macedo
Diversos
Os indivíduos pertencentes à Comunidade Lésbica, Gay, Bissexual, Transexual, Queer, Intersexo e
Assexual (LGBTQIA+), apresentam uma prevalência mais elevada de comportamentos autolesivos face à
população geral, frequentemente associados ao stress de minoria. Esta dissertação integra dois estudos.
O Estudo 1 teve como objetivo caracterizar a frequência dos comportamentos autolesivos e explorar
variáveis psicológicas associadas numa amostra de 372 adultos LGBTQIA+ (M = 23.78; DP = 5.66).
Verificou-se que 55.9% dos participantes reportaram autolesão ao longo da vida e 11.6% no último mês.
Participantes com histórico de autolesão revelaram níveis mais elevados de stress de minoria, maiores
dificuldades de regulação emocional, menor otimismo e maior utilização de estratégias de coping
desadaptativas. A regulação emocional, o otimismo e a autoculpabilização mediaram a relação entre o
stress de minoria e a autolesão. Os resultados indicam que, quando múltiplos fatores de vulnerabilidade
se acumulam, o risco de autolesão aumenta. O Estudo 2 avaliou a viabilidade de uma intervenção breve
focada nas soluções em três mulheres LGBTQIA+ que apresentavam comportamentos autolesivos. Os
resultados indicaram adesão e aceitabilidade elevadas e melhorias na gestão emocional e na redução
das autolesões, apontando para o potencial de intervenções breves na resposta aos comportamentos
autolesivos na população LGBTQIA+.
Individuals belonging to the Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Intersex and Asexual
(LGBTQIA+) community have a higher prevalence of self-injurious behavior than the general population,
often associated with minority stress. This dissertation includes two studies. Study 1 aimed to characterize
the frequency of self-injurious behaviour and explore associated psychological variables in a sample of
372 LGBTQIA+ adults (M = 23.78; SD = 5.66). A total of 55.9% of participants reported self-injury
throughout their lives and 11.6% in the last month. Participants with a history of self-injury showed higher
levels of minority stress, greater difficulties with emotional regulation, lower optimism and greater use of
maladaptive coping strategies. Emotional regulation, optimism and self-blame mediated the relationship
between minority stress and self-injury. The results indicate that when multiple vulnerability factors
accumulate, the risk of self-injury increases. Study 2 evaluated the feasibility of a solution-focused brief
intervention in three LGBTQIA+ women who exhibited self-injurious behaviors. Findings revealed strong
adherence and acceptability, improved emotional regulation, and reduced self-injury, suggesting the
potential of brief interventions for the LGBTQIA+ population.